quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

boa vista - dia 2

no segundo dia, alugámos um carro (um terios sem suspensão, e com gafanhotos de oferta) e fomos dar uma volta pela ilha, na tentativa de fugir dos senegaleses e guineenses que nos convidavam amavelmente a visitar as suas lojas "sem compromisso" "porque os portugueses têm bom coração" para depois ficarem agressivos e quase violentos quando não queríamos comprar nada do "artesanato cabo-verdeano" que vendiam... (confesso que me fez bem, porque rapidamente me passou a compaixão/totozice e ao fim do terceiro já lhes respondia devidamente...)
a caminho de santa mónica (uma praia deserta interminável, boa para se fazer aquilo que podem adivinhar... e eu sem a companhia certa...) passámos por um cemitério índio (apanharam-me outra vez.. eram só umas centenas de pedras empilhadas, ao lado duma pedreira, não sei o que seriam...) e milhares do que pensávamos serem borboletas, mas eram apenas gafanhotos (mas juro que voavam e abriam as asas e ficava uma mancha branca no ar... seriam duendes?...)

numa das terrinhas por onde passámos (povoação velha, acho) fomos recebidos por um senhor muito prestável que vendia... isso mesmo: "artesanato cabo-verdeano" (as mesmas porcarias do costume, feitas no senegal...) e encontrámos estes sorridentes miúdos-tapete

cá está o areal bom para... ler... muito... e... coiso...

acima, o rasto duma tartaruga marinha (há quem diga que fui eu que deixei estas marcas, a arrastar-me pelo areal, enquanto tentava aproximar-me de um caranguejo sem que ele se escondesse na areia... mas mentem!pessoas mal-intencionadas!..)

já de volta à capital, sal rei, num dos poucos sítios onde não erámos assediados por vendedores-passivo-agressivos

aqui fica uma escola de olaria, que produz o único produto verdadeiramente "artesanato cabo-verdeano", e que por isso merece toda a divulgação! aqui se fazem umas tartarugas de barro, simples, mas que têm o mérito de apoiar a economia local (e é sempre giro oferecer prendas que dizem por baixo "lembrança do rabil" - rabil é o nome da terra, calma...).
para uma ilha que supostamente vive do turismo, bem podiam fazer mais para merecer esse título: as únicas lojas na cidade são as dos tais guineenses, e tentar comer ao domingo ou mesmo ao sábado depois das 14h é impossível... assim visto de fora, parece-me que há muito mais a fazer do que apenas marcar os preços em euros (mal convertidos, como convém) e esperar que o dinheiro caia... mas isso sou eu...

(sim, eu sei que o turista que vai para esta ilha fica nos resorts, estoira os euros em actividades naúticas e compra alegremente os fios mal-cheirosos do senegal para levar para os amigos... mas caramba... há turismo para além disso, não?!..)

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